A política brasileira, sempre em movimento, nos reserva novidades a cada dia. Nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, o ex-ministro Ciro Gomes, agora filiado ao PSDB e pré-candidato ao governo do Ceará, deu pistas sobre o xadrez eleitoral para o Senado. Em uma entrevista ao Portal News Cariri, Ciro não apenas elencou nomes que considera viáveis para o apoio tucano na disputa presidencial, mas também, e talvez mais significativamente, omitiu um desafeto histórico: o senador Flávio Bolsonaro.

Aposte em quem? Ciro aponta caminhos para o Senado

A declaração de Ciro Gomes joga luz sobre as articulações que o PSDB vem costurando para as próximas eleições. Segundo o próprio ex-ministro, o partido ainda não definiu oficialmente seu candidato ou o apoio principal para a Presidência da República. No entanto, ele fez questão de citar Ronaldo Caiado, atual governador de Goiás e membro do PSD, e Renan Santos, do partido Missão, como nomes que ele pessoalmente considera opções válidas. "Eu, por exemplo, me dou muito com o Ronaldo Caiado e votaria nele sem nenhuma dificuldade", afirmou Ciro, demonstrando uma relação cordial e de confiança.

É interessante notar a movimentação de Ciro. Em 2023, ele já sinalizava um distanciamento do PT e uma busca por alinhamentos mais centristas. Agora, ao mencionar Caiado, que tem um perfil mais moderado dentro do espectro de centro-direita, e Renan Santos, uma figura menos conhecida nacionalmente, mas que representa uma nova leva de políticos, Ciro parece estar moldando um posicionamento para si e para o PSDB que busca se desvincular de polarizações extremas. A referência a Renan Santos, em particular, pode indicar uma tentativa de renovação dentro do próprio partido tucano.

Omissão estratégica: Flávio Bolsonaro fora do radar

O ponto que chama a atenção na fala de Ciro Gomes, contudo, é a ausência de qualquer menção a Flávio Bolsonaro. Apesar de os tucanos estarem, segundo as apurações, articulando uma aliança com o PL, o senador e pré-candidato à Presidência pela sigla bolsonarista não foi lembrado por Ciro. Essa omissão pode ser interpretada de diversas maneiras. Pode ser reflexo de uma divergência ideológica intransponível entre Ciro e o bolsonarismo, ou uma estratégia do PSDB para sinalizar que busca caminhos que transcendam a dicotomia que tem marcado a política brasileira nos últimos anos. Quem acompanha o Congresso há tempo sabe que essas omissões, em meio a declarações aparentemente inocentes, podem carregar um peso significativo nas futuras alianças.

Na minha leitura, essa estratégia de Ciro e do PSDB parece ser a de construir um espaço de diálogo com diferentes vertentes da centro-direita e até mesmo do centro, sem se fechar em um único bloco. É uma aposta em uma campanha que busca atrair eleitores insatisfeitos com os extremos. A proximidade com Tasso Jereissati, também ex-governador do Ceará e figura influente no PSDB, reforça a ideia de que há uma articulação interna para definir um rumo claro e competitivo.

Convenções em foco: União Brasil e o futuro de Pablo Marçal

Enquanto Ciro Gomes joga suas cartas, outras figuras políticas seguem seus próprios caminhos rumo às eleições. O influencer Pablo Marçal, filiado ao União Brasil, não comparecerá à convenção da federação União-PP em São Paulo nesta segunda-feira (20). A decisão, segundo informações obtidas pelo Painel da Folha, está atrelada à espera por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre duas condenações que Marçal sofreu na Justiça Eleitoral em decorrência de sua campanha em 2024. Apesar do impasse, os dirigentes da federação demonstram confiança na absolvição de Marçal e mantêm o plano de lançá-lo nas eleições, possivelmente em uma dobradinha para o Senado.

Paralelamente, a seção paulista do União Brasil já bateu o martelo e declarará apoio a Flávio Bolsonaro em sua convenção, oficializando também o nome de Guilherme Derrite para o Senado. Essa movimentação em São Paulo contrasta com a incerteza em nível nacional, onde alguns dirigentes ainda debatem a neutralidade nas eleições. Esse cenário fragmentado dentro de um mesmo partido ou federação não é novidade e costuma ser um reflexo das diferentes pressões e interesses regionais que moldam a política brasileira.

Ricardo Salles no palco: um olhar para o meio ambiente e o futuro

Nesta segunda-feira, o cenário político também contará com a participação do deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP). Ele será o convidado do programa Frente a Frente, uma parceria entre a Folha e o UOL, com transmissão ao vivo às 19h. Salles, que já ocupou os cargos de Secretário Estadual de Meio Ambiente em São Paulo e Ministro do Meio Ambiente no governo Jair Bolsonaro, é conhecido por suas posições firmes e, por vezes, polêmicas na área ambiental. A entrevista, conduzida por Fávio Zanini e Carla Araújo, promete aprofundar os posicionamentos políticos do pré-candidato ao Senado por São Paulo, oferecendo ao público a chance de entender melhor suas propostas e sua visão para o futuro do país.

A presença de figuras como Salles em debates públicos é crucial para a formação da opinião dos eleitores. Em um país onde as questões ambientais ganham cada vez mais destaque no cenário internacional e nacional, ouvir diretamente de um político com histórico nessa área suas propostas e visões é um exercício democrático fundamental. A expectativa é que Salles aborde temas relevantes para a população, desde a economia até a preservação de recursos naturais, impactando diretamente o dia a dia dos brasileiros.

Para quem acompanha a política há mais tempo, esse turbilhão de declarações e convenções é familiar. Vemos os partidos tentando encontrar seus melhores caminhos, os pré-candidatos se posicionando e o eleitor com a difícil tarefa de discernir entre as promessas e as realidades. O que parece claro é que as alianças estão em plena formação, e as omissões podem ser tão reveladoras quanto as declarações explícitas. O tabuleiro da política está montado, e as próximas semanas serão decisivas para entendermos o formato final das disputas eleitorais de 2026.