A partir desta segunda-feira (20), os partidos políticos brasileiros dão o pontapé inicial rumo às Eleições 2026 com as convenções partidárias. Mais do que simples reuniões para escolher nomes que disputarão a presidência, governos estaduais, Senado e o Congresso, esses encontros são, na prática, a etapa inicial de articulação para a formação de chapas e alianças. E o que se antecipa é um cenário de muitas negociações e, como de praxe em Brasília, um tanto de tensão. Em pelo menos nove estados, as disputas internas já prometem esquentar os debates antes mesmo do registro oficial das candidaturas, que tem o prazo final em 5 de agosto.

A Definição de Candidatos: O Coração das Convenções

Para o eleitor que não vive os bastidores de Brasília, as convenções podem soar como um rito burocrático. Mas é justamente nesses encontros que o cenário político se forma. É ali que os filiados e lideranças partidárias, após muita articulação nos bastidores, escolhem quem irá representar a sigla em cada cargo eletivo. Sejam vereadores, prefeitos, deputados, governadores ou o próprio presidente da República. Além da escolha dos nomes, é também nessas convenções que os partidos definem a formação de coligações, verdadeiras uniões estratégicas para otimizar tempo de propaganda eleitoral e sumar forças. Um candidato, para ter seu registro deferido pela Justiça Eleitoral, precisa obrigatoriamente ter sido escolhido em uma convenção, o que confere a esses eventos um peso determinante.

O Palco das Brigas: Tensões Regionais e Federações

A formalização das candidaturas nem sempre é um caminho pacífico. A notícia de que tensões internas já marcam as convenções em pelo menos nove estados neste ano não chega a ser uma surpresa para quem acompanha a política brasileira de perto. As disputas por espaço e poder dentro das próprias legendas são frequentes, mas este ano, elas parecem ganhar contornos mais acentuados, especialmente em função da consolidação das federações partidárias. No caso da federação entre União Brasil e PP, por exemplo, a cúpula nacional tem se desdobrado para tentar apaziguar pendências em quatro estados. Essa união, que obriga as legendas a permanecerem juntas por um mínimo de quatro anos, intensifica os embates internos quando há divergências de interesses em nível regional.

Quem acompanha o Congresso há tempo sabe que esse tipo de impasse estadual, quando não resolvido nas instâncias regionais, tende a subir para o diretório nacional, transformando a definição de candidaturas em um palco de negociações acirradas entre caciques políticos. Em 2022, vimos casos em que a falta de acordo dentro de partidos importantes acabou por enfraquecer suas candidaturas em estados estratégicos, beneficiando adversários diretos.

O Que Muda Para o Cidadão Com as Convenções

Embora a maior parte das discussões ocorra longe dos olhos do público, as decisões tomadas nessas convenções têm impacto direto na vida de todos nós. A escolha de candidatos para governar estados e municípios, por exemplo, definirá quem estará à frente da gestão de serviços públicos essenciais como saúde, educação e segurança. A formação de coligações também pode influenciar a capacidade de um governador ou presidente de formar maiorias no legislativo para aprovar leis que afetam diretamente o bolso do contribuinte, como impostos e programas sociais, ou que alteram direitos e deveres.

Um candidato escolhido em uma convenção é o primeiro passo para que ele possa, de fato, se apresentar ao eleitor e propor suas ideias. Se as convenções falharem, ou se os acordos não forem fechados, um candidato a governador pode acabar não saindo do papel se seu partido não conseguir fechar um acordo. No fim, a força de uma chapa ou de um candidato individual pode determinar o equilíbrio de poder nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional, moldando o cenário político e as prioridades do país para os próximos anos.

O Calendário Eleitoral em Curso

Após as convenções, que vão até o dia 5 de agosto, os partidos têm até 16 de agosto para registrar oficialmente os candidatos escolhidos na Justiça Eleitoral. A partir de 17 de agosto, a campanha eleitoral começa oficialmente, com a liberação de propaganda em rádio, TV e internet. A corrida presidencial já tem alguns nomes com suas convenções agendadas, como Flávio Bolsonaro, do PL, que realizará a sua no dia 25 de julho em São Paulo. A definição dos candidatos a presidente, que até agora parecem se firmarem em torno de poucos nomes com potencial de viabilidade nacional, pode trazer um novo fôlego ou consolidar tendências já observadas nas pesquisas.

Essa etapa das convenções, com suas negociações de última hora e possíveis crises internas, é crucial para entender como se formarão as forças políticas que disputarão as urnas em 2026. Na minha leitura, o cenário atual aponta para um período intenso de articulações e alianças, onde a capacidade de negociação e a habilidade de gerenciar as divergências internas serão determinantes para o sucesso dos partidos na próxima eleição.