A temporada de pesquisas eleitorais de 2026 segue movimentada, pintando um quadro incerto para diversos governos estaduais e revelando os movimentos estratégicos dos pré-candidatos. Nesta terça-feira (28), novos levantamentos da Genial/Quaest trouxeram novidades importantes de Minas Gerais e Pernambuco, enquanto o Datafolha detalhou um ponto nevrálgico na campanha de Flávio Bolsonaro.
Cleitinho em Destaque em Minas Gerais
Em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece como líder nas simulações para o governo do estado, segundo a nova pesquisa Genial/Quaest. Ele surge à frente tanto em cenários de primeiro quanto de segundo turno, apesar de ainda não ter confirmado sua candidatura. Essa indefinição em Minas tem sido um dos focos de atenção na articulação política de Flávio Bolsonaro (PL), que aguarda o posicionamento do senador. A pesquisa ouviu 1.482 eleitores entre os dias 22 e 26 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais. No cenário mais amplo, com 11 concorrentes, Cleitinho alcançou 35% das intenções de voto. Esse cenário, com nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, ainda está em definição, mas a liderança de Cleitinho é um indicativo forte de seu potencial eleitoral.
Raquel Lyra Ganha Força em Pernambuco
A disputa em Pernambuco também ganhou contornos mais definidos com a pesquisa Genial/Quaest. A governadora Raquel Lyra (PSD) mostrou crescimento e aparece numericamente à frente do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), em cenários de primeiro e segundo turno. Ambos estão empatados dentro da margem de erro, mas a tendência é de avanço para a atual governadora. No segundo turno, Raquel Lyra registrou 45% das intenções de voto contra 39% de Campos, uma alta de sete pontos em relação a abril. Por outro lado, Campos, que antes liderava com 46%, viu sua pontuação cair para 39%, uma baixa de sete pontos. Essa dinâmica se reflete no primeiro turno, onde Lyra saltou de 34% para 43%, enquanto Campos caiu de 42% para 37%. Esse movimento de ascensão da governadora pode representar um desafio maior para o PSB na disputa pelo comando do estado.
Dificuldades de Flávio Bolsonaro com o Eleitorado Feminino
Enquanto as eleições estaduais se desenham, a disputa presidencial também reserva suas complexidades. Uma análise recente do Datafolha, divulgada na sexta-feira (24), reitera uma preocupação persistente na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL): a dificuldade em conquistar o eleitorado feminino. Em um cenário simulado de segundo turno contra o presidente Lula (PT), 50% das mulheres declararam voto no petista, enquanto 40% indicaram preferência pelo senador do PL. Entre os homens, a disputa é mais acirrada, com 45% para Lula e 46% para Bolsonaro. No geral, Lula leva vantagem no eleitorado feminino, um segmento que historicamente tem apresentado resiliência à candidatura de Bolsonaro em pleitos anteriores. Essa disparidade representa um desafio estratégico significativo para a campanha, que precisará encontrar caminhos para reverter essa tendência e ampliar sua base de apoio entre as mulheres.
Augusto Cury e as Articulações para a Presidência
No cenário nacional, a movimentação pré-eleitoral para a Presidência segue agitada às vésperas do prazo de oficialização de candidaturas. O pré-candidato Augusto Cury (Avante) tem buscado fortalecer sua chapa através de alianças. Uma articulação em andamento visa uma dobradinha com o Democracia Cristã (DC), onde Cury seria o cabeça de chapa e o ex-ministro Aldo Rebelo seu vice. Essa tentativa de consolidar apoios reflete a busca por viabilidade em um cenário de múltiplos postulantes. No início do ano, Aldo Rebelo foi anunciado como pré-candidato pelo DC, mas sua campanha não decolou nas pesquisas. O rompimento com o presidente do partido, João Caldas, abriu espaço para essa nova negociação, mostrando como as alianças e os movimentos políticos são fluidos e reagem às pesquisas e às circunstâncias.
Na minha leitura, o que chama atenção nesse conjunto de pesquisas é a polarização que se desenha em alguns estados, mas também a fluidez de outros. Em Minas, o nome de Cleitinho surge com uma força que pode redefinir a tradicional disputa entre grupos políticos consolidados. Em Pernambuco, a ascensão de Raquel Lyra mostra que nomes estabelecidos podem ser desafiados por gestões que apresentam resultados percebidos pelo eleitorado. Já a dificuldade de Flávio Bolsonaro com as mulheres, que eu acompanho desde as campanhas anteriores de seu pai e dele próprio, não é novidade, mas a persistência dessa tendência é um sinal de alerta para o PL. Quem acompanha Brasília há tempo sabe que o eleitorado feminino, em muitos casos, tem um comportamento mais sintonizado com agendas sociais e de bem-estar, o que pode explicar essa diferença percentual em relação ao eleitorado masculino. É como tentar encaixar uma peça de um quebra-cabeça em um lugar diferente do que ela foi desenhada; pode até caber, mas a imagem final ficará distorcida.
Esses movimentos indicam que o calendário eleitoral de 2026 já está em plena ebulição, com pesquisas servindo como termômetro para as estratégias de pré-campanha. A forma como os pré-candidatos reagirão a esses números, as alianças que serão firmadas e as pautas que ganharão destaque definirão os cenários que veremos nas urnas. Para o cidadão comum, a leitura desses dados é fundamental para entender as forças políticas em jogo e como essas disputas estaduais e nacionais podem impactar desde a governança local até as políticas públicas que afetam o dia a dia de todos.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.