O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) jogou luz sobre o cenário eleitoral de 2026 nesta segunda-feira (20), revelando um eleitorado brasileiro que cresceu 1,46% em relação às eleições de 2022, totalizando 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar. São 2,29 milhões de novos eleitores que podem definir o futuro do país, desde a presidência até cargos no legislativo. Contudo, um olhar mais atento aos dados traz um sinal de alerta: a juventude parece cada vez mais distante das urnas, enquanto a parcela da população com 60 anos ou mais ganha força.

Juventude em recuo: o que explica a queda de 14,5%?

Se por um lado o eleitorado geral aumentou, por outro, a participação dos jovens de 16 a 18 anos sofreu uma queda drástica de 14,52% em comparação com 2022. Essa faixa etária, cujo voto é facultativo, diminuiu em 606.468 pessoas, representando agora apenas 2,25% do total de eleitores. É uma tendência que não se verifica em outras faixas etárias, e que pode ter diversas explicações. O desânimo com a política, a falta de identificação com os candidatos e as pautas apresentadas, ou mesmo a dificuldade em acessar informações claras sobre o processo eleitoral, podem estar contribuindo para esse esvaziamento. Na minha leitura, o descompasso entre o discurso político e as preocupações reais dos jovens é um fator crucial. As campanhas precisam dialogar mais diretamente com essa parcela da população, utilizando as ferramentas e a linguagem que eles consomem.

O Brasil envelhece e vota: impacto da maioria idosa

Em contrapartida, o eleitorado com 60 anos ou mais apresentou um crescimento notável de 13,9%. Esse segmento, que historicamente tende a ser mais fiel aos seus compromissos eleitorais, ganha um peso cada vez maior no resultado das eleições. Com 83,9 milhões de títulos em mãos, o eleitorado feminino continua a ser a maioria, representando 52,84% do total, com um crescimento de 1,83% desde 2022. Essa maioria feminina, aliada ao crescente poder de voto dos idosos, molda um cenário político que as candidaturas presidenciais já começam a sentir. Não é novidade que os pré-candidatos intensificam discursos voltados para esses grupos, buscando capitalizar em seus anseios e preocupações.

Sudeste em retração e Norte em ascensão: um mapa eleitoral em movimento

A distribuição regional do eleitorado também traz nuances importantes. Enquanto o Sudeste, o maior colégio eleitoral do país, registrou uma leve retração de 0,56% no número de eleitores aptos, as regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram os maiores crescimentos proporcionais. O Norte, em particular, teve uma alta de 4,4%, adicionando quase 549 mil novos eleitores. Essa movimentação geográfica pode indicar mudanças demográficas e sociais que, ao longo do tempo, tendem a refletir no equilíbrio político do país. Quem acompanha o Congresso há tempo sabe que mudanças no eleitorado, mesmo que sutis, podem desestabilizar forças políticas consolidadas em décadas.

O Partido Missão e a primeira candidatura oficializada

Em meio à consolidação desses dados, o Partido Missão já se antecipou e oficializou Renan Santos como seu candidato à Presidência. Ele se torna, assim, o primeiro a ter sua candidatura formalizada em convenção. A notícia, divulgada pelo G1 Política, também destaca a necessidade de proteção policial para o candidato após relatos de ameaças. Esse episódio, embora pontual, chama a atenção para a polarização e os desafios que candidatos, especialmente aqueles com menor estrutura partidária, enfrentam em cenários de intensa disputa política.

O que isso significa para o seu bolso e seu dia a dia?

A composição do eleitorado tem um impacto direto na forma como as políticas públicas são desenhadas e implementadas. Um eleitorado mais idoso, por exemplo, pode demandar um foco maior em saúde e previdência social. A queda na participação jovem, por outro lado, pode significar que pautas importantes para essa faixa etária, como educação de qualidade, oportunidades de emprego e combate à crise climática, recebam menos atenção dos futuros governantes. A força do eleitorado feminino, majoritário, já pressiona por maior representatividade e políticas voltadas para a igualdade de gênero. O cenário eleitoral de 2026, portanto, não é apenas um jogo de números, mas um reflexo dos anseios e prioridades que moldarão os próximos anos do Brasil, influenciando desde o seu custo de vida até os serviços públicos que você utiliza.