O ano eleitoral de 2026 já dita o ritmo em Brasília, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não perde tempo em consolidar sua base de apoio e buscar vitórias que possam impulsionar sua candidatura à reeleição. A reta final de maio tem sido marcada por movimentações estratégicas para garantir a aprovação de pautas importantes e driblar obstáculos jurídicos que podem comprometer planos do Executivo.

Uma das frentes de atuação do Planalto envolve a comunicação da campanha. Lula pediu o reforço na coordenação nacional, com a inclusão de nomes como Eden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT. A decisão reflete a compreensão da importância das redes sociais no cenário eleitoral atual. A ideia é otimizar a interação entre o partido, a coordenação de comunicação da campanha, a cargo do marqueteiro Raul Rabelo, e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), buscando uma mensagem mais coesa e impactante para o eleitorado.

Paralelamente, o governo corre contra o tempo para garantir um reajuste salarial de 5,4% aos professores. A aprovação da Medida Provisória (MP) que concede o aumento é crucial, pois ela perde validade no dia 1º de junho. Caso a MP não seja votada a tempo, os educadores terão um acréscimo irrisório de apenas 0,37%, algo em torno de R$ 18, no salário. A nova fórmula de cálculo, que considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais 50% da média real de receitas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), busca trazer uma correção mais robusta do que a metodologia atual, baseada apenas no valor mínimo por aluno. A articulação para aprovar a MP demonstra a pressão para entregar resultados concretos à categoria antes do período eleitoral.

Em outra frente de ação para otimizar a máquina pública, o Ministério da Previdência Social decidiu aumentar em 15% a gratificação paga aos conselheiros do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A medida visa acelerar o julgamento dos recursos de segurados que tiveram benefícios negados. Cada conselheiro passará a receber R$ 97 por processo analisado, um aumento significativo em relação aos pouco mais de R$ 80 anteriores. Essa agilidade no processamento de recursos pode impactar diretamente a vida de milhares de brasileiros que aguardam decisões sobre aposentadorias, auxílios e pensões, demonstrando um esforço em agilizar o andamento de processos que afetam o dia a dia dos cidadãos.

No entanto, nem tudo são caminhos livres. O governo se depara com um obstáculo jurídico em relação à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Uma norma editada pelo Senado em 2010 impede que o presidente Lula faça uma nova indicação do Advogado-Geral da União para a corte ainda neste ano. O presidente, contudo, manifestou a aliados a intenção de insistir no nome de Messias. A estratégia em análise no Planalto é divulgar publicamente o apoio à indicação, mas formalizar o envio do nome apenas em 2027, caso o petista seja reeleito. Essa manobra demonstra a complexidade das articulações políticas e a necessidade de contornar regras estabelecidas para alcançar objetivos estratégicos.

Em suma, maio de 2026 se desenha como um mês de intensa atividade para o governo Lula. A busca por votos e o aprimoramento da máquina pública caminham juntos, com o Executivo tentando equilibrar as demandas eleitorais e a necessidade de entregar resultados que se traduzam em melhorias tangíveis para a população brasileira.