A máquina de pré-campanha bolsonarista já está a todo vapor, mas com estratégias que vão desde o ataque direto ao atual governo até apostas em nomes controversos e alianças regionais. A corrida eleitoral de 2026 promete ser um terreno fértil para articulações inesperadas e para a exploração de temas que dividem o eleitorado.

Flávio Bolsonaro tenta se firmar, mas enfrenta 'fogo amigo'

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem investido em uma linha de ataque ao presidente Lula (PT), buscando se apresentar como uma alternativa de defesa do Brasil, especialmente no cenário internacional. Uma declaração recente do senador, que interpretou um gesto de Lula como um "dedo do meio" para o povo brasileiro, ilustra essa tática. O objetivo é capitalizar sobre a insatisfação de parte do eleitorado e se posicionar como oposição ferrenha.

Contudo, a própria pré-campanha presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não está imune a turbulências. Relatos indicam que há um clima de insatisfação entre aliados em relação à condução das articulações, lideradas pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). A dificuldade em integrar diferentes grupos e a excessiva centralização de decisões estariam gerando disputas internas, em vez de fortalecer a máquina eleitoral. Essa dinâmica de "fogo amigo" é um obstáculo considerável para quem almeja a cadeira presidencial.

Em SP, a aposta é em influencer para puxar votos

Enquanto isso, em São Paulo, o presidente do União Brasil no estado, Milton Leite, busca uma estratégia mais peculiar para turbinar o partido. A aposta é convencer o influencer Pablo Marçal a concorrer a deputado estadual. A ideia é que Marçal, com seu alcance nas redes sociais, consiga atrair perto de 1 milhão de votos, o que ajudaria o União Brasil a conquistar mais cadeiras na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Essa manobra visa aumentar a base de apoio ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e, consequentemente, gerar maior dependência dos deputados do União por parte do governador.

Em minha leitura, essa estratégia em São Paulo demonstra como as campanhas eleitorais estão cada vez mais atentas ao poder de mobilização de personalidades fora do círculo político tradicional. A busca por "puxadores de voto" que transcendam o eleitorado cativo de um partido é uma tática que já vimos se repetir em outras eleições, mas a aposta em um influencer com a projeção de Marçal é um movimento audacioso. O desafio será converter a popularidade virtual em votos concretos e garantir que essa aliança não gere atritos com outras vertentes do bolsonarismo.

Garotinho tenta ressurgir explorando polêmicas

No Rio de Janeiro, o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) tenta usar a polêmica em torno de um vídeo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar sua pré-candidatura ao governo estadual. A estratégia é clara: capitalizar sobre a exposição gerada por essa controvérsia para tentar reconquistar espaço político. Ele disputa a indicação do Republicanos com o ex-prefeito de Miguel Pereira, André Português, e o partido discute uma possível aliança com o PL.

Essa tentativa de Garotinho de se relançar na política, utilizando polêmicas como trampolim, me lembra de outros momentos em que figuras com passado controverso buscaram um "novo fôlego" explorando a polarização. A questão aqui é se essa estratégia será suficiente para superar as resistências e os desafios eleitorais, especialmente em um cenário político tão disputado quanto o do Rio de Janeiro. É um jogo de alto risco que pode tanto impulsionar sua candidatura quanto gerar mais desgaste.

O tabuleiro eleitoral de 2026

O cenário das pré-campanhas bolsonaristas para 2026 se mostra complexo e multifacetado. Enquanto Flávio Bolsonaro busca se consolidar como principal nome da oposição, outros movimentos exploram caminhos distintos, seja através de alianças inusitadas em São Paulo, seja por meio de tentativas de ressurreição política no Rio de Janeiro. O que essas diferentes estratégias têm em comum é a tentativa de mobilizar o eleitorado e construir bases de apoio sólidas para o pleito. A forma como essas articulações se desenrolarão e os resultados que trarão para o eleitorado de cada estado, ou para a disputa presidencial, serão determinantes para o futuro do bolsonarismo.

Em nossa cobertura editorial, temos acompanhado de perto as movimentações dos grupos bolsonaristas. A dificuldade em manter a unidade e a diversidade de estratégias são sinais claros de um campo político em constante adaptação, buscando novas formas de se conectar com o eleitorado em um cenário de alta polarização. A forma como esses grupos lidarão com as crises internas e com as próprias polêmicas definirá, em grande parte, suas chances nas próximas eleições.