O tabuleiro político paulista segue seus movimentos, e a mais recente divulgação do Datafolha neste domingo (5) joga luz sobre a consolidação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e os desafios de seu principal adversário, o ex-ministro Fernando Haddad (PT). Com a avaliação positiva de sua gestão se mantendo em 45% — um número estável desde março deste ano —, Tarcísio parece ter uma posição fortalecida no estado que concentra a maior fatia do PIB nacional e um eleitorado decisivo para o cenário de 2026.
A margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, em uma pesquisa que ouviu 1.608 pessoas entre 1º e 3 de julho, confirma a tendência: 45% dos paulistas consideram a gestão de Tarcísio ótima ou boa. Outros 32% a veem como regular, e 20% a classificam como ruim ou péssima. Esses números indicam uma base de apoio sólida, o que é um trunfo considerável para quem busca a reeleição e almeja projetar sua influência para além das fronteiras estaduais.
Na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio aparece com 46% das intenções de voto, conforme apurado pelo Datafolha. Fernando Haddad, por sua vez, figura com 30%. A diferença de 16 pontos percentuais, embora significativa, não fecha completamente as portas para o petista. O cenário, na minha leitura, é de um governador que consegue imprimir sua marca e de um opositor que precisa urgentemente reverter a percepção de parte do eleitorado sobre sua capacidade de governar o estado.
Quem acompanha o Congresso Nacional há tempo sabe que a aprovação de um governo em um estado tão importante quanto São Paulo raramente é um feito isolado. A estabilidade nas pesquisas para Tarcísio, refletida tanto na aprovação da gestão quanto na intenção de voto, sugere uma articulação política que vai além da esfera estadual. A forma como o governo federal tem lidado com pautas econômicas e a influência de figuras nacionais no debate paulista também são fatores a serem considerados. Em 2019, vimos algo parecido quando o então governador eleito, com um discurso alinhado a um forte sentimento de renovação política, já demonstrava uma popularidade que o projetou rapidamente para o cenário nacional.
A permanência da avaliação negativa em 20% para a gestão Tarcísio é um dado que merece atenção. Embora não seja um número avassalador, ele representa uma parcela do eleitorado que se mostra insatisfeita. Para Haddad, focar em mobilizar esse contingente e atrair eleitores indecisos e que se declaram brancos ou nulos (8% no levantamento) é uma estratégia para tentar encurtar a distância. A presença de outros candidatos de esquerda radical — Vera Lúcia (PSTU), Vivian Mendes (UP) e Carlos Machado (PCB) — empatados com 5% e 4% respectivamente, também drena potenciais votos que poderiam, em teoria, ser direcionados ao PT.
Na minha leitura, o sinal mais forte aqui é a resiliência da aprovação de Tarcísio. O governador, que terá sua candidatura à reeleição ratificada em convenção ainda este mês, parece ter estabelecido uma ligação sólida com o eleitorado paulista. Essa aprovação contínua, algo que não é tão comum em mandatos presidenciais, pode se traduzir em um capital político valioso para articulações futuras, tanto em âmbito nacional quanto para consolidar sua posição como uma liderança relevante para além de São Paulo.
Para o cidadão paulista, esse cenário se reflete em uma administração que, segundo a percepção majoritária, caminha de forma regular. A estabilidade na aprovação da gestão pode ser interpretada como um indicativo de continuidade em políticas públicas, mas também levanta o debate sobre o que está sendo feito para atrair a parcela insatisfeita. A disputa acirrada, se acontecer, tende a polarizar o debate sobre os rumos do estado, impactando diretamente na alocação de recursos para serviços públicos, na segurança e no desenvolvimento econômico de São Paulo.
A acompanhamos essa articulação desde o início do ano, e os dados do Datafolha confirmam uma tendência que já se desenhava. O governo Tarcísio aposta na consolidação de sua imagem e de suas realizações, enquanto a oposição, representada por Haddad, tenta encontrar falhas e pontos de convergência para mudar a maré. O cenário eleitoral em São Paulo é, sem dúvida, um dos termômetros mais importantes para as movimentações políticas em todo o Brasil.
Enquanto a campanha eleitoral em São Paulo se intensifica, o que a pesquisa Datafolha revela é um eleitorado que, em grande parte, parece satisfeito com o rumo atual, mas com uma fatia considerável aberta a debates e possíveis mudanças. A disputa pelo voto em São Paulo é, historicamente, um prenúncio do que pode acontecer no cenário nacional, e os movimentos de Tarcísio e Haddad serão observados de perto por todo o país nos próximos anos.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.