A alteração de posições e cargos em Brasília e nos estados ganhou um novo e complexo capítulo nesta sexta-feira (15) com a deflagração da Operação Sem Refino, da Polícia Federal. A investigação mira um suposto esquema de fraudes fiscais em que estariam envolvidos a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos e um dos maiores devedores de impostos do país, além de figuras políticas e empresariais. Os holofotes se voltaram, principalmente, para um aliado de peso do senador Ciro Nogueira (PP) e para o ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL).

No centro da investigação está Jonathas Assunção Salvador Nery Castro, que ocupou a segunda posição na Casa Civil durante a gestão de Jair Bolsonaro. Segundo a apuração da PF, ele teria recebido R$ 1,3 milhão da Refit por meio de uma empresa de consultoria, em transações que a corporação classifica como “movimentações atípicas”. Essa quantia, distribuída ao longo de março de 2025, teria passado pela Sary Consultoria e Participações LTDA, empresa da qual Jonathas Castro detém 100% de participação. Valores provenientes da Refit, ROAR INOVAÇÃO, FERA LUBRIFICANTES e FLAGLER, todas apontadas como parte do grupo empresarial de Ricardo Magro – dono da Refit e suposto maior sonegador de impostos do Brasil –, teriam sido rapidamente repassados pela consultoria.

Favorecimento ao Grupo Refit no Rio de Janeiro

A complexidade do caso se estende ao Rio de Janeiro. O ex-governador Claudio Castro é acusado pela PF de ter agido para favorecer o Grupo Refit durante sua gestão. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação, descreve uma “cooptação integral do estado do Rio de Janeiro” para atender a interesses privados. Essa atuação teria culminado na troca de pelo menos um secretário estadual, do procurador-geral do estado e em intervenções para anular interdições que pesavam sobre a refinaria.

Encontro em Nova York e Interferência na Fazenda Estadual

Um encontro em Nova York, nos Estados Unidos, entre Claudio Castro e o empresário Ricardo Magro, detalhado na decisão judicial, reforça os indícios de uma articulação direta entre o poder público e os interesses da empresa. As investigações sugerem que Magro, que vive há mais de dez anos em Miami, teria interferência na escolha de cargos dentro da Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro, com a substituição de servidores considerados mais rigorosos por nomes alinhados à Refit. Medidas como a edição de um regime especial de parcelamento de débitos tributários, que beneficiou empresas endividadas e devedoras contumazes como a Refit, também são vistas como parte desse movimento.

Outros Envolvidos e Busca por Ricardo Magro

A operação desta sexta-feira não parou por aí. Além de Jonathas Castro e Claudio Castro, outros nomes foram mencionados, como o ex-Secretário de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro, Juliano Pasqual, e Adilson Zegur, subsecretário de Receita. Ambos teriam sido citados em diálogos obtidos pela PF em articulações com um auditor fiscal e um intermediário para favorecer a Refit. O empresário Ricardo Magro, alvo principal, já teve pedido de prisão expedido e sua inclusão na lista de Difusão Vermelha da Interpol, que alerta sobre foragidos procurados internacionalmente, foi solicitada. Vale lembrar que Magro já esteve sob investigação em uma grande operação em novembro do ano passado.

Implicações para a Sociedade e o Sistema Tributário

Este caso levanta sérias questões sobre o uso de recursos públicos e a integridade das instituições. A atuação de figuras públicas para supostamente beneficiar um grupo empresarial com histórico de dívidas fiscais massivas pode ter um impacto direto na percepção da sociedade sobre a justiça e a equidade. Quando esquemas assim parecem prosperar, a confiança do cidadão em serviços públicos e na cobrança efetiva de impostos fica abalada. A luta contra a sonegação e a corrupção é um pilar para a saúde financeira do país e para a garantia de que os recursos arrecadados cheguem à população em forma de investimentos em saúde, educação e infraestrutura. A investigação da PF, agora sob o olhar atento do STF, busca desvendar essa teia de relações e responsabilidades.