O agronegócio brasileiro tem motivos para comemorar. Nos primeiros meses de 2026, o setor bateu recordes de exportação, impulsionado pela valorização do dólar e pela conquista de novos mercados. Mas, como sempre, a economia nos lembra que a calmaria pode ser enganosa. As tensões no Oriente Médio, em especial no Estreito de Hormuz, acendem um sinal de alerta e podem, sim, respingar no seu bolso.
Safra recorde e novos horizontes
Abril começou com o pé direito para o agro. Segundo o Ministério da Agricultura, nada menos que 29 novos mercados se abriram em nove países, ávidos por produtos brasileiros. De carne a sementes, passando por grãos e produtos lácteos, a diversidade de itens mostra a força e a versatilidade do nosso campo. E não para por aí: nos três primeiros meses do ano, já haviam sido conquistados outros 30 mercados.
Os números impressionam: as exportações do setor no primeiro trimestre somaram US$ 38,1 bilhões, um recorde para o período. Esse desempenho representa um crescimento de quase 1% em relação ao mesmo período de 2025.
Para quem investe em fundos imobiliários (FIIs) ligados ao agronegócio, o momento é interessante. O bom desempenho do setor pode se refletir em dividendos mais generosos, já que muitos desses fundos investem em títulos de dívida do setor, como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). É como se a maré estivesse alta para quem apostou no campo.
O fator Irã e o estreito de Hormuz
Mas nem só de boas notícias vive o agro. O “abre e fecha” do Estreito de Hormuz, como apurou a Folha, é motivo de preocupação. Essa passagem estratégica é fundamental para o escoamento de produtos e insumos para o Oriente Médio e a China. A instabilidade na região, com a guerra e as idas e vindas do Irã, causa incerteza e aumenta os custos de logística.
Para se ter uma ideia, em 2025, o agronegócio brasileiro exportou o equivalente a US$ 169,2 bilhões. Desse total, US$ 12,4 bilhões (7,4%) tiveram como destino o Oriente Médio. Imagine a seguinte situação: você precisa entregar um produto em outro estado, mas a estrada principal está bloqueada. Você vai ter que pegar um desvio, que pode ser mais longo e mais caro. É exatamente o que acontece com os navios que precisam contornar o Estreito de Hormuz quando ele está fechado.
Impacto no consumidor
E onde você entra nessa história? Simples: no preço dos alimentos. Se o custo para transportar os produtos aumenta, essa diferença acaba sendo repassada para o consumidor final.
A carne bovina, por exemplo, sentiu o impacto. A Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) informou que, em março, as exportações caíram em volume, mas a receita subiu. Isso significa que estamos exportando menos, mas a preços mais altos. E adivinha quem paga a conta?
E os EUA nessa história?
Os Estados Unidos também exercem um papel importante nesse cenário. A política de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) influencia diretamente o valor do dólar. E um dólar mais forte torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional, impulsionando as exportações.
Além disso, a relação comercial entre Brasil e EUA, especialmente no setor agrícola, é um fator determinante. Acordos e negociações podem abrir novas portas para os produtos brasileiros, ou, ao contrário, impor barreiras e restrições.
O que esperar?
O cenário é complexo e cheio de variáveis. O agronegócio brasileiro tem potencial para continuar crescendo e batendo recordes, mas precisa estar atento aos riscos e desafios. A instabilidade geopolítica, a flutuação do câmbio e as políticas econômicas internas e externas são fatores que podem influenciar o desempenho do setor.
Para o consumidor, a lição é clara: prepare-se para oscilações nos preços dos alimentos. A boa notícia é que o Brasil tem uma produção diversificada e um mercado interno forte, o que pode ajudar a amortecer os impactos. Mas, como diz o ditado, é melhor prevenir do que remediar. Ficar de olho nas notícias e planejar o orçamento são sempre boas estratégias para enfrentar os altos e baixos da economia.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.