Sabe aquela sensação de correr atrás do prejuízo? É mais ou menos o que o governo brasileiro está tentando fazer com as contas públicas. De um lado, a promessa de um futuro com as contas no azul. De outro, um alerta vermelho do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o tamanho da nossa dívida. E, claro, tudo isso acontecendo em um mundo cada vez mais incerto, com a guerra Irã-Israel influenciando a economia global.

O plano do governo: superávit em 2027

O governo apresentou nesta quarta-feira o projeto de lei que traça as diretrizes para o orçamento de 2027. A grande aposta é um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Traduzindo: a ideia é que, no ano que vem, o governo arrecade mais do que gaste, sem contar os juros da dívida. É como se você finalmente conseguisse guardar um pouquinho do salário depois de pagar todas as contas.

Essa meta é mais ambiciosa do que a de 2026, que prevê um superávit menor, de 0,25% do PIB, com uma margem para chegar a zero. Mas, como diz o ditado, entre o querer e o poder vai uma grande distância. E é aí que entra a preocupação com a dívida.

O alerta do FMI: dívida nas alturas

Enquanto o governo faz planos para economizar, o FMI jogou um balde de água fria. Segundo o relatório Fiscal Monitor, divulgado hoje, a dívida bruta do Brasil deve ultrapassar 100% do PIB nos próximos anos, chegando a 106,5% em 2031. Para entender a gravidade, imagine que a dívida é como uma bola de neve: quanto maior, mais difícil de controlar. E, no caso do Brasil, essa bola de neve parece estar crescendo rápido demais, com um rombo nas contas públicas girando em torno de 6% a 8% do PIB.

O FMI chama a atenção para um cenário global complicado, com juros altos e aversão ao risco. Isso significa que, para países endividados como o Brasil, fica mais caro conseguir dinheiro emprestado para pagar as contas. E uma fatia considerável do nosso déficit está justamente ligada aos juros da dívida, que sobem à medida que o custo de financiamento aumenta.

Por que a geopolítica importa?

Não dá para falar de economia sem mencionar a geopolítica. A tensão no Oriente Médio, com a guerra entre Irã e Israel, tem um impacto direto no preço do petróleo, que, por sua vez, afeta a inflação e o custo de vida no mundo todo. Um petróleo mais caro pesa no bolso do consumidor, aumenta os custos das empresas e dificulta o controle da inflação. E, em um cenário de dívida alta, qualquer turbulência externa pode ter um efeito cascata na economia brasileira.

O que isso significa para você?

Afinal, o que tudo isso significa para o brasileiro comum? A resposta, como sempre, não é simples. Se o governo conseguir controlar as contas e reduzir a dívida, a tendência é que os juros caiam, o crédito fique mais acessível e a economia volte a crescer. Isso pode gerar mais empregos, aumentar a renda e melhorar o poder de compra.

Por outro lado, se a dívida continuar subindo, o cenário pode ser bem diferente. Juros altos, inflação persistente e menos investimentos em áreas como saúde e educação. É como se a corda estivesse sempre no limite, com pouco espaço para manobrar em caso de imprevistos.

O desafio do governo é encontrar um equilíbrio entre o rigor fiscal e os investimentos sociais, garantindo que o Brasil não perca o bonde do crescimento em meio a um cenário global cada vez mais desafiador. E, para o brasileiro, o importante é acompanhar de perto as decisões do governo e entender como elas podem afetar o seu dia a dia. Afinal, no fim das contas, é o seu bolso que sente o impacto das escolhas econômicas do país.