A escalada das tensões no Oriente Médio, com o bloqueio do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos, está mexendo com o mercado de petróleo e, claro, acendendo o sinal de alerta por aqui. Afinal, o que acontece lá do outro lado do mundo impacta diretamente o preço da gasolina e, por tabela, o custo de vida do brasileiro.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?
Pense no Estreito de Ormuz como um gargalo por onde passa uma enorme quantidade de petróleo. Uma fatia considerável do petróleo mundial passa por ali diariamente. Se esse caminho é interrompido, a oferta global de petróleo diminui, e a lei da oferta e da procura entra em ação: menos petróleo disponível significa preços mais altos.
Segundo a CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás, o aumento da tensão entre os Estados Unidos e o Irã deixou de ser um fator secundário e passou a "influenciar diretamente a formação de preços globais", principalmente por atingir um ponto crítico da cadeia de energia.
Gasolina mais cara, inflação em alta
O impacto do petróleo mais caro não se limita à bomba de gasolina. O diesel, usado no transporte de cargas, também sobe, o que pode elevar o preço dos alimentos e de outros produtos. Ou seja, a inflação, que já vinha dando sinais de arrefecimento, pode ganhar novo fôlego.
E não para por aí. Se a inflação sobe, o Banco Central pode ser obrigado a rever sua política de juros. Se a Selic sobe, é como se o freio da economia fosse acionado, desincentivando o consumo e o investimento.
A frota fantasma e o petróleo “pirata”
Para tentar driblar as sanções e manter o fluxo de petróleo, países como Irã e Venezuela têm recorrido a uma “frota fantasma”, composta por navios que operam fora dos radares, sem identificação e muitas vezes burlando as regras internacionais. Essa frota clandestina já transporta quase 20% do petróleo global, segundo o InfoMoney.
É como se fosse um mercado paralelo de petróleo, com seus próprios riscos e incertezas. O problema é que essa alternativa não resolve o problema de fundo, que é a instabilidade geopolítica e a pressão sobre os preços.
O que esperar?
É difícil prever o futuro, mas, no cenário atual, a tendência é de que os preços dos combustíveis continuem voláteis e pressionados. O mercado de trabalho ainda segue aquecido, o que ajuda a sustentar as vendas do varejo, como mostrou o Índice do Varejo Stone (IVS), que apontou crescimento de 5,5% em março, com destaque para o setor de combustíveis. No entanto, o endividamento das famílias e o crédito mais caro ainda são obstáculos para uma recuperação mais consistente.
O FMI e o Banco Mundial já sinalizaram que reduzirão suas previsões de crescimento global e aumentarão suas projeções de inflação por conta da guerra. Mercados emergentes, como o Brasil, tendem a ser os mais afetados.
Resta torcer para que as tensões diminuam e o mercado de petróleo se estabilize. Enquanto isso, o jeito é planejar o orçamento e buscar alternativas para economizar combustível. Andar de bicicleta, usar o transporte público ou até mesmo repensar a necessidade de alguns deslocamentos podem ser boas opções. No fim das contas, cada real economizado faz a diferença.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.