Para quem achava que o Pix e os cartões de crédito viviam uma disputa acirrada, esqueça. Quem garante é o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que rebateu essa percepção nesta terça-feira (19) durante uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Segundo ele, o sistema de pagamentos instantâneos, longe de ser um concorrente, na verdade ajudou a turbinar o mercado de cartões ao trazer milhões de brasileiros para dentro do sistema financeiro.

Pense no Pix como um convite para quem estava do lado de fora. Galípolo explicou que a ferramenta do BC incluiu pessoas que antes operavam à margem do mercado financeiro tradicional. Com mais gente tendo conta em banco, a tendência é que a demanda por outros produtos financeiros, como empréstimos e, sim, cartões de crédito, também aumente. Em outras palavras, a bancarização promovida pelo Pix acabou fortalecendo o ecossistema financeiro como um todo.

Essa fala do presidente do Banco Central vem em um momento em que o sistema de pagamentos brasileiro está no centro das atenções internacionais. Há cerca de um ano, o governo dos Estados Unidos iniciou uma investigação comercial para avaliar se as práticas do setor no Brasil estariam prejudicando as gigantes americanas de cartões de crédito, como Visa e Mastercard. A Casa Branca chegou a divulgar um relatório reforçando essa preocupação, temendo que o Banco Central desse um tratamento preferencial ao Pix.

Escândalo do Banco Master na pauta

A audiência pública no Senado, no entanto, não foi dominada apenas pelas novidades do Pix. O escândalo envolvendo o Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro passado, também foi um dos pontos centrais da discussão. O dono da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso sob acusação de venda de títulos de crédito falsos. Na época, o Banco Central já indicava que o banco era pequeno demais para representar um risco sistêmico para o mercado.

Galípolo reafirmou que a liquidação do Banco Master, classificado como "terceira divisão" do sistema financeiro, não colocou em risco a estabilidade econômica do país. Ele frisou que, embora o uso do dinheiro por trás das irregularidades seja preocupante, o porte do banco impedia um impacto generalizado. O presidente do BC também mencionou que, na mesma época, a tentativa de compra de 58% das ações do Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi barrada pela própria autoridade monetária.

A expectativa no Senado era de que os parlamentares questionassem Galípolo sobre a atuação do BC na gestão do caso, e até mesmo sobre uma possível omissão de seu antecessor, Roberto Campos Neto. As informações sobre o financiamento de um filme ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo dono do Banco Master também surgiram, embora Galípolo não tenha entrado em detalhes sobre esse ponto durante a audiência.

O que isso significa para você?

Para o bolso do brasileiro, a notícia é majoritariamente positiva. A consolidação do Pix como ferramenta de inclusão financeira significa que mais pessoas têm acesso a serviços bancários básicos. Isso pode se traduzir em mais opções de crédito acessíveis, como veremos com a expansão do mercado de cartões mencionada por Galípolo. Além disso, a clareza sobre a segurança do sistema de pagamentos, mesmo com a polêmica do Banco Master sendo tratada como um caso pontual e de menor porte, contribui para a confiança do consumidor nas transações digitais. Embora o cenário econômico global ainda apresente desafios e a inflação exija atenção constante do Banco Central, a evolução do sistema de pagamentos é um ponto de fortalecimento para a economia do país.