O mercado brasileiro deu adeus ao pregão desta quinta-feira (02/07/2026) com um respiro para baixo, mas com olhos atentos a movimentações pontuais que podem sinalizar tendências futuras. A B3 fechou as portas após um dia de volatilidade, com investidores digerindo os últimos balanços trimestrais e ajustando suas estratégias.

Sabesp (SBSP3) ganha protagonismo

Um dos destaques do dia foi a Sabesp, que viu suas ações (SBSP3) apresentarem uma leve alta de 0.27%, alcançando R$ 29.93. A entrada da companhia na carteira recomendada de ações do Santander para julho agitou o setor de utilities. Os analistas do banco apostam na continuidade do crescimento da empresa, impulsionado por ganhos de eficiência e redução de despesas operacionais (opex). Para este ano, o Santander projeta um Ebitda robusto de R$ 15,419 bilhões, um salto de 24,2% em relação ao ano anterior. Vale lembrar que a Sabesp já acumula uma valorização expressiva de 13.26% em 2026, mostrando força no setor.

Em minha leitura, a inclusão da Sabesp pelo Santander sinaliza uma confiança renovada no setor de saneamento, que tem se beneficiado de uma gestão mais focada em resultados. É um movimento que pode encorajar outros gestores a buscarem exposição a empresas com perfil mais resiliente e com potencial de geração de valor a longo prazo.

Totvs (TOTS3) sob os holofotes do Citi

Na seara da tecnologia, a Totvs (TOTS3) esteve no radar após o Citi cortar o preço-alvo de suas ações de R$ 45 para R$ 40. A justificativa veio em meio à expectativa de resultados mistos para o segundo trimestre de 2026, com uma possível desaceleração nas adições líquidas de receita anual recorrente. Apesar disso, a expansão das margens e um potencial de valorização de 38% em relação ao fechamento do dia anterior (1º) ainda chamam a atenção. As ações da TOTS3 fecharam o dia com uma alta de 1.07%, cotadas a R$ 29.29, mas o histórico recente de desempenho inferior ao de outros ETFs do setor, como o IGV, levanta questões sobre a performance futura.

Quem acompanha o setor de tecnologia há algum tempo sabe que a Totvs, assim como outras empresas de software, está em um ponto crucial. A transição para modelos de negócio mais sustentáveis e a consolidação do mercado exigem atenção constante. A gestão da empresa tem sido desafiadora, especialmente após a aquisição da Linx, mas os analistas do BTG e XP, que visitaram a Tenda, reforçam a importância da melhoria de eficiência.

Tenda (TEND3) e a aposta na Alea

A Tenda (TEND3) também gerou notícias com a projeção de uma virada em sua subsidiária Alea, focada em casas pré-fabricadas. Analistas do BTG Pactual e XP Investimentos, após visitarem as instalações da companhia, indicam que a prioridade é estabilizar a execução nos canteiros de obras e avançar na verticalização antes de um novo ciclo de crescimento. A leitura é que a rápida expansão e a instabilidade da mão de obra foram os principais gargalos para a Alea até agora. A empresa, que opera em um setor que pode se beneficiar da retomada do ciclo de construção civil, busca agora consolidar sua operação para colher frutos no futuro.

Visão Geral do Pregão

Embora não tenhamos dados macroeconômicos bombásticos ditando o ritmo hoje, a divulgação de balanços e as atualizações de carteiras recomendadas têm sido os principais motores para a movimentação do mercado. Esse cenário de foco em resultados, como vimos em matérias anteriores do The Brazil News sobre a temporada de balanços, tende a continuar direcionando o comportamento das ações nas próximas semanas. A volatilidade pode permanecer, especialmente com a aproximação de outras divulgações importantes.

Para o investidor, o importante é continuar monitorando não apenas os números divulgados pelas empresas, mas também as análises de casas de research e bancos, que fornecem um termômetro valioso sobre as perspectivas de cada setor e companhia. A performance da Sabesp no ano, com uma alta de 13.26%, contrasta com a queda de 27.72% da Totvs em 2026, mostrando que o momento exige cautela e discernimento.