O pregão desta terça-feira (30) marcou o encerramento do primeiro semestre na B3, e os números não foram os mais animadores para o Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira fechou em baixa de 0,68%, aos 172.024,12 pontos, acumulando uma queda de 1,01% em junho e de 8,3% no trimestre.
Apesar do cenário global com um rali de tecnologia que tem atraído capital para outros mercados, o Brasil sentiu o peso da saída de fluxo estrangeiro e, segundo dados da B3, R$ 8,7 bilhões foram retirados da bolsa brasileira em junho até o dia 26. Somado a isso, a proximidade das eleições presidenciais de outubro e o ressurgimento do risco fiscal mantiveram os investidores em alerta.
Petrobras (PETR4) em baixa e o Dólar com volatilidade
Uma das responsáveis pela puxar o índice para baixo foi a Petrobras (PETR4), que fechou o dia com variação de -0,71%, acumulando uma queda de 9,12% no mês. A gigante do petróleo, que representa uma fatia importante do Ibovespa, tem sentido o aperto com o fluxo estrangeiro saindo e, na minha leitura, as incertezas fiscais domésticas adicionam uma camada extra de cautela para o setor.
Por outro lado, o dólar à vista mostrou fôlego e encerrou a sessão cotado a R$ 5,1630, com uma queda de 0,22%. Contudo, é importante notar que, no acumulado do mês, a divisa ainda registrou uma valorização de 2,38%, refletindo um movimento de aversão ao risco que não se dissipou completamente.
O lado mais positivo do dia veio dos juros futuros. Na última sessão do semestre, as taxas recuaram, encontrando espaço para cair mais na segunda parte do pregão. O principal gatilho para esse movimento foi a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio, que mostrou uma geração de vagas formais abaixo do esperado pelo mercado. O Brasil abriu 72.960 vagas formais em maio, um número aquém das projeções.
Esse dado mais fraco do mercado de trabalho reforçou a percepção de que o Banco Central tem margem para continuar o ciclo de cortes na Taxa Selic. Os vértices de vencimento curto dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) chegaram a operar abaixo dos 14% durante a tarde. O DI para janeiro de 2027, por exemplo, fechou em 14%, ante 14,038% na véspera, e o para janeiro de 2028 recuou de 14,107% para 14,015%.
Braskem (BRKM5) sente o impacto do fim do conflito no Irã
No cenário corporativo, a Braskem (BRKM5) foi um dos destaques negativos do dia, com suas ações caindo 5,90%, acumulando uma perda de 39,20% no mês. Segundo análise do JPMorgan, o acordo que pôs fim ao conflito entre Irã e Estados Unidos diminuiu os spreads petroquímicos, um fator crucial para a companhia. Embora os spreads ainda estejam acima dos níveis pré-conflito, a expectativa de recuperação foi revista para baixo, impactando a visão mais construtiva sobre a ação.
Essa situação da Braskem me lembra um pouco o que vimos no início de 2023, quando uma commodity específica (na época, o minério de ferro) sofreu um baque abrupto devido a fatores macroeconômicos, e empresas diretamente ligadas a ela sentiram o peso. O padrão se repete: quando um insumo vital para um setor para de performar como esperado, a cadeia produtiva inteira se ajusta.
O que esperar para frente?
O primeiro semestre de 2026, embora com um saldo geral positivo de 6,76% para o Ibovespa, foi marcado por volatilidade e saídas de capital estrangeiro. Os dados de emprego mais fracos são, sem dúvida, um alento para quem aposta na continuidade do ciclo de afrouxamento monetário. No entanto, o risco fiscal e as incertezas políticas continuam no radar.
Para os próximos dias, o investidor deve ficar atento a novos dados de inflação e aos desenvolvimentos da política fiscal brasileira. A performance das commodities e a dinâmica do fluxo estrangeiro também seguirão como pontos cruciais para entender a direção do mercado.
A apuração do The Brazil News mostra que a relação entre o câmbio e a performance das ações de empresas exportadoras, como a Petrobras, continuará sendo um termômetro importante. Na minha leitura, a manutenção de um dólar em patamares elevados, mesmo com quedas pontuais, tende a pesar sobre o balanço de algumas empresas, enquanto outras podem se beneficiar.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.