Nesta quarta-feira (24), o Ibovespa ensaia um movimento de recuo, refletindo a queda nos preços do petróleo no mercado internacional. Por volta das 14h17, o principal índice da bolsa brasileira operava em baixa de 0,50%, aos 170.408,60 pontos. Um cenário que destoa do otimismo visto em Wall Street, onde as ações de tecnologia, após dias de forte realização, mostram uma pausa à espera de novos números.

A desvalorização do barril de petróleo, que chegou a cair mais de 3%, impacta diretamente empresas do setor listadas na B3, como a Petrobras. Essa é uma dinâmica que já vimos antes, por exemplo, em meados de 2023, quando tensões geopolíticas e projeções de menor demanda mundial causaram volatilidade similar nas commodities e, consequentemente, em índices como o nosso.

Enquanto o setor de energia sente o baque, o dólar à vista segue na contramão, avançando 0,43% ante o real e negociado a R$ 5,2098. Esse movimento cambial acompanha a força da moeda americana no exterior, conforme o DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, opera em alta. A busca por ativos mais seguros, num cenário global de incertezas, acaba favorecendo a divisa americana.

No radar internacional, os investidores seguem de olho nas tensões entre Estados Unidos e Irã, embora o tráfego no Estreito de Ormuz demonstre sinais de normalização. A divulgação do balanço da Micron Technology, fabricante de semicondutores, é um dos pontos altos do dia nos EUA. A expectativa é que os resultados da empresa ofereçam novas pistas sobre a demanda por inteligência artificial (IA) e a sustentabilidade do atual ciclo de crescimento das empresas de tecnologia. Quem acompanha esse setor sabe que os balanços da Micron costumam ser um termômetro importante para todo o segmento de chips e, por extensão, para as ações tech.

Falando em tecnologia e suas oscilações, o setor tem passado por dias de forte realização. As ações de empresas como a Qualcomm e a Stitch Fix, por exemplo, têm sentido o humor do mercado. No Brasil, embora o foco imediato esteja nas commodities, é importante notar que um ambiente de aversão ao risco global pode, eventualmente, respingar em nossas ações tech, mesmo que o movimento atual do Ibovespa seja mais pontual, ligado ao petróleo. Lembro que, em nossa cobertura editorial, já abordamos como a volatilidade de Wall Street em ações de tecnologia pode impactar o nosso mercado, mesmo com vieses distintos.

Em meio a esse cenário, algumas recomendações pontuais de day trade aparecem. A Ágora Investimentos sugere a compra de Banco do Brasil (BBAS3), com potencial de ganho de 1,46%, e venda de Marcopolo (POMO4), com potencial de ganho de 1,38%. O Banco do Brasil, aliás, tem apresentado uma performance interessante em nosso sistema interno: seu preço atual é de R$ 19,86, com uma variação positiva de +1.43% no dia, apesar de acumular uma queda de -7.62% no mês. Já a Marcopolo, com preço de R$ 5,81, registra uma variação negativa de -1.69% hoje.

O Relatório de Política Monetária (RPM) será divulgado amanhã (25) e deve trazer mais subsídios para as projeções da taxa Selic. A ata do Copom já sinalizou uma assimetria altista nos riscos, o que pode indicar um viés mais cauteloso por parte do Banco Central em relação à trajetória futura dos juros.

Na minha leitura, o mercado brasileiro, por enquanto, está dividindo sua atenção entre a pressão das commodities e a expectativa por dados mais concretos do setor de tecnologia americano. A força do dólar também é um fator a ser monitorado de perto, pois pode trazer mais volatilidade para o nosso índice. Para quem investe, o momento pede atenção redobrada, especialmente se o setor de tecnologia global continuar a apresentar volatilidade, pois isso pode influenciar o apetite por risco de investidores em todo o mundo.