O pregão desta quinta-feira (25) amanheceu com um fôlego renovado para a bolsa brasileira. O Ibovespa, nosso principal indicador do mercado acionário, opera em alta, impulsionado por dados de inflação mais comportados divulgados tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Por volta das 10h10, o índice avançava 0,76%, beirando os 171.796 pontos.
A notícia que aliviou os ânimos do mercado foi a prévia da inflação de junho, o IPCA-15, que desacelerou para 0,41%, abaixo dos 0,62% registrados em maio. Esse dado, embora ainda acumule uma alta de 4,80% em 12 meses, trouxe um respiro frente às expectativas de números mais pressionados. Lá fora, o Índice de Preços para Gastos com Consumo Pessoal (PCE), indicador de preferência do Federal Reserve, também veio com uma alta de 0,4% em maio, abaixo do esperado por economistas. Em minha leitura, o Fed parece ter mais margem para lidar com a inflação sem precisar adotar medidas restritivas tão drásticas, o que geralmente é bom para os mercados globais.
Por outro lado, o dólar à vista parece não ter decidido ainda para qual lado vai. A moeda opera com leve alta de 0,09% ante o real, negociada a R$ 5,2066. Esse movimento contrasta com o desempenho da divisa americana no exterior, onde o índice DXY, que a compara com um cesto de moedas fortes, registra uma ligeira queda. Esse comportamento do dólar é um ponto de atenção para quem acompanha o mercado brasileiro. Quem viveu o cenário de 2022 lembra de como o dólar podia se comportar de forma semelhante aos movimentos do mercado internacional, mas também apresentar volatilidade própria em períodos de incerteza doméstica. Agora, parece que estamos em uma fase de maior cautela.
A Petrobras, um dos pesos-pesados do Ibovespa, segue no radar. Com o Brent para setembro negociado em Londres em baixa de 3,81% a US$ 73,87 o barril, a petroleira já sentiu o impacto. A ação preferencial (PETR4) operava com queda de 2,64% no fechamento de ontem, e agora, em nosso sistema, registramos o preço atual em R$ 38,29, com uma variação negativa de 2,64% no dia. Apesar dessa queda no curto prazo, a ação da Petrobras acumula uma alta expressiva de 28,57% no ano, com um dividend yield de 7,60%, o que pode continuar atraindo investidores em busca de renda.
Outro ponto relevante para o mercado foi a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM) pelo Banco Central. Embora o foco esteja nos dados de inflação, o documento apontou um aumento significativo na probabilidade de um estouro do teto da meta de inflação, saltando de 30% para 79%. Essa notícia, embora não tenha causado um grande impacto imediato hoje, é algo a se monitorar com atenção nos próximos meses. Desde 2018, o Banco Central tem um compromisso contínuo com a meta de inflação, e essa sinalização aumenta a pressão sobre futuras decisões de política monetária.
Enquanto o Ibovespa busca um caminho de alta, a atenção para os próximos dias se volta para os desdobramentos da inflação, as decisões de política monetária e o cenário internacional. Para quem investe, o momento pede cautela e análise estratégica, seja no swing trade ou no day trade. É fundamental acompanhar os indicadores e entender como eles podem impactar o seu portfólio.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.