Na bolsa brasileira, a atenção se volta para um dado externo: a divulgação do payroll, o relatório de emprego dos Estados Unidos referente a junho. Os números que saem ainda nesta manhã têm o poder de calibrar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed), a ponto de influenciar significativamente o Ibovespa.

No momento, o mercado se mantém cauteloso. As projeções para a criação de vagas apontam para algo em torno de 115 mil empregos, com a taxa de desemprego estável em 4,3%. Um resultado mais robusto do que o esperado pode arrefecer as expectativas de cortes de juros mais agressivos por parte do Fed. E quem acompanha o Fed há tempos sabe que essa cautela pré-divulgação é um clássico, quase um ritual.

Ontem, vimos as taxas dos DIs no Brasil subirem, acompanhando a firmeza dos rendimentos dos Treasuries no exterior. A taxa do DI para janeiro de 2028, por exemplo, encerrou a quarta em 14,095%, uma alta de 11 pontos-base que interrompeu uma sequência de sete sessões de queda. Para mim, isso sinaliza que o mercado já está precificando a possibilidade de juros americanos mais altos por mais tempo, uma história que não é exatamente nova, mas que ganha contornos mais definidos a cada dado divulgado.

Enquanto isso, o cenário internacional não oferece muito conforto. As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira. O índice sul-coreano Kospi tombou quase 8%, esmagado pelas gigantes de semicondutores, como Samsung Electronics e SK Hynix. Em Tóquio, o Nikkei também sentiu o baque, com perdas robustas. Essa queda em ações de tecnologia, reflexo de uma liquidação vista em Nova York, reflete-se globalmente e pressiona o humor do mercado financeiro. Não é a primeira vez que vemos as ações de chips despencarem e puxarem o restante do setor para baixo; esse padrão, infelizmente, se repetiu em outros momentos de incerteza.

No Brasil, o dólar à vista segue valorizado, fechando o último pregão a R$ 5,2103, uma alta de 0,92% e o maior nível em três meses. Essa força da moeda americana reflete não só a busca por segurança em tempos de incertezas globais, mas também o diferencial de juros que, apesar das quedas recentes na Selic, ainda pode ser atrativo para o fluxo de capitais. Em nossa cobertura editorial, temos acompanhado essa tendência de valorização do dólar desde o início do semestre, observando como ela impacta importadores e exportadores, além de reduzir o poder de compra do investidor em ativos internacionais.

Olhando para os dados divulgados mais cedo aqui, a produção industrial em junho veio mista, e o IPC-Fipe em São Paulo registrou uma leve desaceleração. No entanto, é o payroll que comanda as atenções. Como eu sempre digo para quem está começando: a expectativa é um motor fundamental do mercado financeiro. E a expectativa agora está totalmente voltada para os Estados Unidos.

Em resumo, o Ibovespa opera sob o signo da cautela, digerindo um cenário externo desafiador com quedas na Ásia e a força do dólar, enquanto aguarda o principal indicador do dia. A decisão do investidor, agora, é como lidar com um cenário de incertezas, monitorando cada movimento dos números americanos e seus reflexos aqui. Na minha leitura, o que vier do payroll definirá o tom dos negócios nas próximas horas, e quem sabe, na semana que vem.