Bom dia! São 9h16 de uma quarta-feira, 1º de julho de 2026, e enquanto o mercado da B3 se prepara para abrir em algumas horas, o cenário internacional já nos dá pistas do que esperar. O sentimento é de cautela, com os olhos voltados para a inflação na Europa e os indicadores de atividade econômica que chegam dos Estados Unidos.

O overnight, como costumamos chamar o movimento nos mercados asiáticos e europeus que operaram antes de nós, mostra um quadro misto. Na Ásia, os mercados fecharam com sinais divididos, reflexo de preocupações com a desaceleração global, mas também com o fluxo de notícias corporativas. Já na Europa, a atenção se volta para os dados de inflação (CPI) e os índices de gerentes de compras (PMIs) que foram divulgados hoje cedo. Esses números são cruciais para entender a força da economia europeia e as próximas decisões de política monetária do Banco Central Europeu.

Em Wall Street, os futuros indicam uma abertura mais cautelosa, digerindo as informações vindas do outro lado do Atlântico e aguardando novos dados dos EUA, como o relatório ADP sobre vagas formais no setor privado, que tende a preceder o payroll oficial. A geração de empregos tem sido um termômetro importante para as expectativas de juros por lá, e qualquer sinal de fraqueza pode ser interpretado como um conforto para o Federal Reserve em manter sua política monetária mais relaxada. Inclusive, lembro de um período em 2023 onde a surpresa negativa no ADP causou um respiro temporário na curva de juros americana, um padrão que quem acompanha há tempo sabe que vale a pena observar.

No Brasil, a ressaca de ontem ainda se faz presente. A curva de juros futuros fechou o dia 30 de junho com as taxas em queda, especialmente nos vencimentos mais curtos. O principal vetor para esse movimento foi o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostrou uma geração de vagas formais abaixo do esperado. Na minha leitura, isso reforça a percepção de que o Banco Central tem espaço para continuar o ciclo de cortes na Selic sem gerar pressões inflacionárias adicionais. Essa trajetória de acomodação nas taxas, que já vinha ocorrendo, ganha mais força com esses dados, e a inclinação da curva de juros indica que o mercado já precifica essa continuidade.

O dólar, por sua vez, fechou junho como o investimento de melhor desempenho entre os principais ativos, refletindo um cenário de incertezas globais e a volatilidade interna. A moeda americana avançou cerca de 3,78% no PTAX e 2,38% no à vista no último mês. Essa força da moeda estrangeira, que se manteve firme mesmo com a queda nos juros futuros por aqui, é algo que sempre me chamou a atenção. O mercado busca segurança em meio a incertezas globais e volatilidade interna.

Em relação à bolsa brasileira, o Ibovespa engatou sua quarta queda mensal consecutiva em junho, com um recuo de 1,01%. Apesar do desempenho negativo no mês, o acumulado do primeiro semestre de 2026 ainda é positivo, com uma alta de 6,76%. Esse cenário mais volátil, com fluxo estrangeiro saindo em busca de mercados emergentes com maior potencial de rali, como Taiwan e Coreia do Sul, e o retorno do risco fiscal ao radar, são fatores que explicam essa instabilidade. Para quem investe, esse movimento de saída de capital externo é um sinal importante de que as ações brasileiras podem estar sendo deixadas de lado no curto prazo, impactando os portfólios.

Na ponta corporativa, a Braskem (BRKM5) segue chamando a atenção. A ação vem acumulando perdas significativas, com uma queda de 37,83% no mês e 17,94% no ano. Esse desempenho reflete os desafios enfrentados pela empresa no setor de materiais básicos, um setor que tem sentido o impacto da desaceleração global. Acompanhamos esse movimento e é um exemplo claro de como fatores específicos de uma empresa, somados ao cenário macroeconômico, podem impactar drasticamente os investimentos.

Portanto, hoje o dia se desenha com a expectativa de uma abertura cautelosa para a bolsa. Os investidores estarão atentos aos dados econômicos europeus e americanos, e àcompanhando de perto os movimentos do dólar e dos juros futuros. As notícias sobre a fila do INSS ter caído para o menor nível em 21 meses é um dado interessante que pode trazer algum alívio para o cenário interno, mas o peso do cenário global deve predominar nas primeiras horas de negociação.