Quinta-feira, 4 de junho de 2026, e o mercado financeiro segue agitado, como sempre. Enquanto o Ibovespa tenta engrenar em um pregão de alta modesta, as atenções de quem busca o crescimento mais acelerado – e, claro, está disposto a assumir um risco um pouco maior – se voltam para as ações de empresas menores, as famosas small caps. E as corretoras já soltaram suas apostas para o mês de junho.

Neste cenário de constante busca por oportunidades, BB Investimentos, XP e Santander apresentaram suas novas composições de carteiras recomendadas para o sexto mês do ano. E acredite, os ajustes não são meros caprichos. Eles refletem visões de mercado, cenários macroeconômicos e, claro, o desempenho recente das empresas.

BB Investimentos: Novos Nomes e Tese de Crescimento

O BB Investimentos, por exemplo, tomou a decisão de mexer na sua carteira de small caps para junho. A equipe por trás da seleção destacou que o portfólio se saiu melhor que o índice de referência (SMLL) em maio, com uma queda menor. Isso é um ponto a favor, mostrando que, mesmo em um mês de baixa, a estratégia conseguiu mitigar parte das perdas.

Quatro ações deixaram a lista: Azzas (AZZA3), Lavvi (LAVV3), Riachuelo (RIAA3) e Usiminas (USIM5). Em seus lugares, entram Cury (CURY (CURY3)3), Intelbras (INTB3), PetroReconcavo (RECV3) e Vitru (VTRU3). Segundo o BB Investimentos, as novas integrantes foram escolhidas por um mix de fortes momentos operacionais, geração de caixa consistente e posicionamento em tendências estruturais da economia brasileira. A Cury, por exemplo, vem com vendas robustas e um cenário favorável após mudanças no programa Minha Casa Minha Vida. Já a Intelbras (INTB3) surge com a expectativa de melhora nas margens e exposição a um setor em alta.

XP Investimentos: Convicta em Cury e Ajustes Estratégicos

A XP também fez seus deveres de casa e ajustou sua carteira Top Small Caps. A grande novidade é a inclusão de C&A (CEAB3) e Ecorodovias (ECOR3), com destaque para o aumento da participação em Cury (CURY3). Para a XP, a construtora se tornou ainda mais atrativa, com a alocação subindo de 10% para 12,5%. Essa aposta reforçada em Cury vem da resiliência operacional e geração de caixa da empresa, mesmo em um ambiente que a corretora considera desafiador.

Na outra ponta, Pague Menos (PGMN3) e Mills (MILS3) deram adeus à carteira. A saída da Mills, segundo a XP, se deu após uma forte valorização recente das ações e o anúncio de uma potencial OPA. A Ecorodovias entra em cena com um argumento de valuation. Os estrategistas da XP acreditam que as ações ficaram para trás em relação a outras do setor, e as incertezas com investimentos (capex) parecem exageradas, especialmente considerando os fatores que podem mitigar esses riscos.

Santander: Continuidade e Diversificação

O Santander, por sua vez, optou por manter sua carteira recomendada de small caps inalterada para junho. São 10 ações que buscam superar o índice SMLL no médio e longo prazo, com foco em análise fundamentalista, geração de valor e crescimento dos negócios. A seleção do banco cobre diversos setores, como construção civil, energia, varejo, saúde, agronegócio e mineração, mostrando uma diversificação que pode ser interessante para quem busca reduzir a exposição a um único setor.

A carteira do Santander inclui nomes como 3tentos (TTEN3), Alupar (ALUP11), Aura Minerals (AURA33), C&A Modas (CEAB3), Direcional (DIRR3), Fleury (FLRY3), Iguatemi (IGTI11), Marcopolo (POMO4), Orizon (ORVR3), Pague Menos (PGMN3) e Sanepar (SAPR11). É interessante notar a presença da C&A e da Pague Menos nesta lista, mostrando convergência de opiniões entre as corretoras, embora a XP tenha removido a Pague Menos de sua carteira.

De Olho na Privatização da Copasa

Em um movimento que pode impactar o setor de saneamento e, consequentemente, algumas small caps ligadas a ele, a privatização da Copasa (CSMG3) ganhou um novo capítulo. A Aegea, através do consórcio Livorno Participações, decidiu não apresentar uma nova proposta para adquirir uma fatia de 30% da Copasa. Essa decisão da Aegea, que tinha como parceiros o fundo soberano de Cingapura GIC e a Equipav, abre caminho para a Equatorial (EQTL3) como a investidora de referência finalista.

A mudança nas condições do processo de privatização, anunciada pela Copasa no final de maio, foi o motivo alegado pela Aegea para a retirada. Para os investidores, é um sinal de que o cenário para a Copasa está se definindo, e a Equatorial pode ter um papel importante na reestruturação da empresa mineira. Fiquem atentos a como esse movimento pode se desdobrar nos próximos meses.

A escolha de small caps para junho exige um olhar atento às particularidades de cada empresa e aos movimentos do mercado. As carteiras recomendadas são um excelente ponto de partida para quem quer se aprofundar e construir uma estratégia sólida. Lembre-se, o mais importante é alinhar essas sugestões com seus objetivos e perfil de risco.