Se você acordou achando que a calmaria de ontem nos mercados globais ia durar, prepare-se para uma ducha de água fria. Nesta quinta-feira, as tensões no Oriente Médio voltaram a esquentar, empurrando o petróleo para cima e, de quebra, pintando de vermelho os principais mercados globais.

No momento, enquanto a B3 ainda engatinha, os futuros de Nova York operam em baixa. O Dow Jones Futuro já registra queda de 0,51%, o S&P 500 Futuro recua 0,39% e o Nasdaq Futuro não fica para trás, com -0,38%. É a ressaca depois do otimismo de ontem, quando os índices de Wall Street fecharam em alta, embalados por uma suposta extensão de trégua entre Estados Unidos e Irã. Mas a realidade é um bocado mais complexa, como sempre.

Petróleo: o termômetro da incerteza

A principal mola propulsora desse movimento de baixa global é o petróleo. O preço do barril, que parecia ter dado uma trégua, volta a flertar com a marca dos US$ 100. Acontece que, apesar dos anúncios de trégua de ontem, o impasse nas negociações entre Irã e Estados Unidos persiste. Para piorar, as restrições ao fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz, um dos pontos mais sensíveis para o transporte de petróleo no mundo, continuam de pé.

Pense no petróleo como a gasolina de um carro. Se o preço da gasolina sobe, tudo fica mais caro: transporte, produção, e por aí vai. Para o investidor, isso é um sinal de alerta para a inflação global. E inflação alta geralmente significa juros altos por mais tempo, o que não é música para os ouvidos das bolsas de valores.

Europa e Ásia no vermelho

A maré negativa não é exclusividade dos futuros americanos. As bolsas europeias também operam no vermelho neste pregão, com o sentimento negativo ditando o ritmo. O índice pan-europeu STOXX 600 recua 0,32%, o DAX alemão perde 0,40% e o FTSE 100 britânico cede 0,61%. Curiosamente, algumas empresas como Nokia e L’Oréal até conseguem brilhar com resultados melhores que o esperado, mas não são o suficiente para segurar o clima geral de cautela.

Na Ásia, o cenário foi similar. Os mercados da região fecharam em baixa, ainda digerindo os relatos de que os EUA teriam interceptado petroleiros iranianos. Bolsas importantes como o Nikkei no Japão e o Hang Seng em Hong Kong registraram quedas. A lista de baixas se estendeu por outros mercados. Como noticiou o Money Times, as bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa devido à "continuidade das tensões no Oriente Médio, apesar da extensão do cessar-fogo".

A montanha-russa do Ibovespa

E o Ibovespa nessa história? Bom, ele resolveu seguir um roteiro próprio ontem, contrariando o humor de Wall Street. Enquanto S&P 500 e Nasdaq renovavam recordes de fechamento na quarta-feira, embalados pela trégua anunciada entre EUA e Irã – um movimento que a InfoMoney destacou –, o nosso índice de referência caiu forte, registrando um recuo de 1,65% e atingindo o menor nível desde 8 de abril.

Essa queda do Ibovespa, como bem apontou a InfoMoney, foi um mix de realização de lucros e uma reprecificação de risco por aqui. Os bancos, que têm peso considerável no índice, sentiram o baque, com Banco do Brasil e Bradesco ON entre as maiores quedas. A Vale (Vale), outro gigante, também recuou 1,70%.

Mas, como em toda gangorra, sempre tem alguém subindo. Nesse caso, a Petrobras (tanto PETR3 quanto PETR4) surfou na alta do petróleo e entregou ganhos superiores a 1%, mostrando que nem tudo é igual por aqui. É um lembrete importante: o mercado brasileiro tem seus próprios drivers, e nem sempre dança a mesma música de Nova York.

O que o investidor brasileiro precisa saber

A volatilidade imposta pela geopolítica é um dos desafios mais constantes para o investidor. Um dia, a notícia de trégua anima; no outro, o impasse nas negociações traz a cautela de volta. Essa gangorra de expectativas se traduz em movimentos erráticos, principalmente em ativos mais sensíveis como o petróleo e, por tabela, ações de empresas ligadas a commodities.

Para sua estratégia de investimentos, é fundamental não se deixar levar pelo calor do momento. A diversificação continua sendo a melhor amiga do investidor. Ter uma carteira bem balanceada, com diferentes classes de ativos e geografias, ajuda a amortecer esses solavancos causados por eventos que estão fora do nosso controle.

Fique de olho nos próximos desdobramentos sobre o Oriente Médio, claro, mas também não perca de vista os indicadores econômicos que chegam ao longo do dia, como as leituras preliminares do PMI Global da S&P Global para os setores de manufatura e serviços nos Estados Unidos, que serão divulgadas nesta manhã. Esses dados podem adicionar mais uma camada de complexidade (ou de otimismo) ao cenário atual.

A Tesla, por exemplo, que ontem surpreendeu com lucros acima do esperado, hoje inverteu o movimento e cai após o CEO Elon Musk sinalizar um forte aumento nos investimentos, impactando o fluxo de caixa. Isso mostra que, além da geopolítica, o micro de cada empresa ainda tem um peso enorme. Em um dia como hoje, a palavra de ordem é atenção redobrada!