A bolsa americana apresenta um desempenho misto nesta quinta-feira (25), com o Dow Jones atingindo novas máximas históricas, enquanto o Nasdaq luta contra a volatilidade. A movimentação dos índices reflete a digestão de dados macroeconômicos importantes, com destaque para o PCE, o índice de inflação preferido do Federal Reserve, e uma reviravolta inesperada no setor de tecnologia.

Por volta das 15h (horário de Brasília), o Dow Jones operava em alta de 1,48%, atingindo os 52.616,92 pontos, superando seu recorde anterior de meados de junho. Já o S&P 500 avançava 0,59%, aos 7.401,48 pontos. O Nasdaq, por outro lado, apresentava uma leve queda de 0,09%, na casa dos 25.454,602 pontos, mostrando um desempenho mais contido em meio às oscilações.

O PCE e a inflação sob o microscópio

Os investidores de Wall Street estão atentos aos números da inflação. O Índice de Preços para Gastos com Consumo Pessoal (PCE) mostrou uma alta de 0,4% em maio em relação a abril, um pouco abaixo da estimativa de 0,5%. No acumulado de 12 meses até maio, o PCE acelerou para 4,1%, ante 3,8% em abril, vindo em linha com o esperado pelo mercado. Na minha leitura, o Fed pode interpretar esses dados com um certo alívio, mas ainda observará de perto a trajetória para tomar decisões sobre os juros.

Quem acompanha o Banco Central americano há um tempo sabe que essa moderação nos dados de inflação, mesmo que modesta, pode ser um prenúncio de que a pressão sobre o aperto monetário diminua gradualmente. Não é a primeira vez que vemos esses dados gerarem otimismo pontual, mas a persistência deles é o que realmente importa para as decisões futuras.

Tecnologia: um respiro após a tempestade

O setor de tecnologia, que vinha sofrendo nas últimas sessões, especialmente com a queda de gigantes como a Nvidia e AMD, ganhou um fôlego nesta quinta-feira. A Micron Technology disparou mais de 16% no pré-mercado após apresentar projeções otimistas para a demanda por memória voltada para IA. Esse movimento impulsionou as ações de outras empresas do segmento.

Lembra quando as ações de empresas de tecnologia estavam em disparada, impulsionadas pela grande atenção à IA? Vimos algo parecido em 2023, e agora a Micron parece estar sinalizando uma retomada desse ímpeto. É um lembrete de que, mesmo em setores voláteis, os fundamentos de demanda podem reverter tendências. Na minha visão, essa recuperação da Micron serve como um raio de esperança para o setor de chips, mostrando que a correção recente pode ter sido mais uma pausa do que um colapso.

Essa recuperação no setor de tecnologia pode ter um impacto direto no seu portfólio. Se você investe em fundos de ações ou ETFs que possuem exposição a essas empresas, pode sentir um alívio ou até mesmo uma valorização nos próximos dias, dependendo da força desse movimento de recuperação. É um exemplo claro de como os holofotes em um setor específico podem influenciar a performance geral dos seus investimentos.

Otimismo do JPMorgan e a guerra no Irã

Em um cenário mais amplo, o JPMorgan elevou sua projeção para o S&P 500 para 7.800 pontos, classificando o momento como muito favorável para a bolsa americana. Essa visão otimista é amparada, segundo o banco, pelo crescimento dos lucros corporativos acima do esperado e pela perspectiva de um acordo de paz para encerrar a guerra no Irã. Essa combinação de fatores econômicos internos e eventos geopolíticos globais sempre foi um palco para grandes movimentações no mercado.

A apuração do The Brazil News mostra que a cautela no setor de tecnologia, apesar dos bons números da Micron, ainda se faz presente para alguns analistas. Contudo, a perspectiva de um desfecho positivo para o conflito no Oriente Médio é um fator que, historicamente, tende a impulsionar os ativos de risco. É aquele velho ditado: paz e prosperidade andam de mãos dadas nos mercados.

No mercado local, a notícia é que as ações da Americanas (AMER3) operam em leve queda de 0,23% no dia, mas acumulam uma desvalorização de 16,57% no mês. O P/L (preço/lucro) de 1.6, apesar de parecer baixo, precisa ser analisado no contexto da recuperação da empresa, que ainda está sob os holofotes. A volatilidade recente de AMER3 ilustra como empresas em processos de reestruturação podem apresentar movimentos bruscos, algo que exige muita atenção de quem opera swing trade ou day trade.