Os eleitores brasileiros se preparam para mais uma disputa presidencial em 2026, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já deu o primeiro passo ao definir os limites de gastos para as campanhas. Nesta terça-feira (21), o órgão oficializou que quem almeja o Palácio do Planalto poderá investir até R$ 133,4 milhões, um valor idêntico ao registrado nas eleições de 2022. A decisão atende a uma demanda unificada dos presidentes de partidos, que argumentaram que um aumento no teto poderia gerar desequilíbrios na corrida eleitoral.

Padrões de gastos e o papel dos partidos

O montante de R$ 133,4 milhões se divide entre R$ 88,9 milhões para o primeiro turno e mais R$ 44,5 milhões caso a disputa se estenda para a segunda etapa. Na minha leitura, essa decisão reflete um entendimento pragmático dos partidos, que buscam evitar um escalada de gastos que possa inviabilizar candidaturas com menor acesso a fundos. É uma forma de, em tese, equalizar o campo de jogo, embora a captação de recursos continue sendo um divisor de águas nas campanhas.

A manutenção dos valores de 2022 também sinaliza uma certa estabilidade nas regras do jogo eleitoral. Quem acompanha o Congresso e os debates sobre financiamento de campanha há anos sabe que essa pauta sempre gera controvérsias. Em 2019, por exemplo, vimos discussões acaloradas sobre o fim do financiamento empresarial e a adoção do modelo com recursos públicos e doações de pessoas físicas. A decisão do TSE, ao manter os valores, evita um novo round de debates nesse sentido, focando as atenções em outros aspectos da organização do pleito.

O apoio logístico das Forças Armadas e o eleitorado

Enquanto os limites de gastos são definidos, o presidente Lula assinou um decreto autorizando o apoio logístico das Forças Armadas nas eleições de outubro. Essa colaboração militar, prevista em lei desde 1965, é fundamental para garantir a segurança e o transporte de urnas eletrônicas e materiais para locais de difícil acesso. A presença dos militares em pontos estratégicos ajuda a manter a ordem pública e a tranquilidade no dia da votação, um aspecto crucial para a confiança no processo eleitoral.

O eleitorado brasileiro também cresceu. Segundo dados do TSE, o número de votantes chegou a 158,7 milhões, um aumento de 1,4% em relação a 2022. Esse crescimento, embora pareça pequeno percentualmente, representa milhares de novos eleitores que entrarão em cena nas disputas municipais deste ano e, futuramente, nas eleições gerais de 2026. A campanha presidencial de 2026 promete ser intensa, com nomes como o do atual presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro já em rota de colisão, ainda que em fase de articulação.

Articulações de vice e os movimentos no Centrão

Por falar em Flávio Bolsonaro, a busca por um vice para compor sua chapa presidencial tem se mostrado um desafio. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, negou o convite para integrar a chapa. Sua prioridade, segundo apurado, é disputar a presidência do Senado em 2027, o que inviabilizaria sua participação na corrida ao Planalto. Essa recusa, confirmada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, demonstra a complexidade das negociações com partidos do Centrão.

O PL, de Flávio Bolsonaro, tem buscado formar uma aliança com partidos como União Brasil, Progressista e Republicanos. No entanto, a dificuldade em encontrar um nome que una os partidos e, ao mesmo tempo, se alinhe aos objetivos da candidatura, tem sido um entrave. Nomes como as deputadas federais Simone Marchetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) são cogitados dentro do PP, enquanto no Republicanos, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, aparece como opção. A estratégia, para mim, é clara: tentar fechar uma coligação sólida até o último minuto, contando com a influência dos blocos partidários para ampliar a base de apoio nacional.

Em comparação com 2018, quando a aliança em torno de Bolsonaro se consolidou de forma mais direta, a busca por um vice em 2026 demonstra maior articulação e negociação política. Os partidos do chamado “Centrão” sabem o valor de suas bancadas e buscam garantir espaço e influência nas decisões. A campanha eleitoral, portanto, já começou nos bastidores, com conversas estratégicas e definições de prioridades. O eleitor, no fim das contas, verá o resultado dessas negociações nas urnas, mas também sentirá o impacto nos serviços públicos e nas políticas que serão implementadas a partir das alianças firmadas.