O Brasil volta a atrair os holofotes de Wall Street. Estrategistas do Goldman Sachs cravaram o país como o mercado acionário preferido na América Latina, com uma recomendação de ‘overweight’ no portfólio de mercados emergentes. Para o banco americano, as ações brasileiras estão baratas, negociando a cerca de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. Isso, na visão deles, é um patamar atraente tanto em relação às taxas de juros de longo prazo quanto aos padrões de ciclos anteriores de queda de juros.

Na minha leitura, essa fala do Goldman Sachs não é apenas um afago à nossa economia. É um sinal claro de que, apesar da volatilidade esperada para o segundo semestre — especialmente com a proximidade das eleições —, o fluxo de capital estrangeiro pode continuar robusto. O banco aponta que uma possível desaceleração na precificação mais agressiva das expectativas de juros, impulsionada pela queda nos preços de energia, tenderá a favorecer as ações domésticas mais sensíveis aos juros. E olha que elas já acumulam queda no ano e ainda estão cerca de 20% abaixo dos níveis pré-conflito. Quem acompanha o mercado há tempos sabe que esses momentos de ‘barganha’ podem ser excelentes janelas de oportunidade para quem tem sangue frio.

No entanto, a euforia nos bastidores do mercado internacional não se traduziu totalmente na B3 neste pregão. Por volta das 10h10, o Ibovespa operava em queda de 1,26%, aos 169.855,82 pontos. A pressão veio, em grande parte, do exterior, com a baixa nos futuros de Wall Street e a desvalorização de commodities como petróleo e minério de ferro. O dólar à vista, por sua vez, seguia na esteira do desempenho global, avançando 0,62% e cotado a R$ 5,1950. O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes, também subia.

Em meio a esse cenário misto, algumas corretoras seguem com suas estratégias de curto prazo. O BTG Pactual, por exemplo, adicionou três novas recomendações de compra em sua carteira de swing trade: A1MDC34 (AMD), MBRF3 e WEGE3. A expectativa é de valorização entre 14% e 18% no curto prazo, segundo a análise técnica. A A1MDC34 é vista com potencial de nova perna de alta após testar máximas. Já MBRF3 reage em um suporte e mostra melhora de momentum, enquanto WEGE3 dá sinais mais claros de retomada. Essa movimentação, aliás, me lembra um pouco o que vimos em 2022, quando a busca por volatilidade e lucros rápidos em ativos específicos se intensificou em cenários de incerteza política. O padrão se repete, mas os catalisadores agora são um pouco diferentes.

Para quem busca estratégias de day trade, a Ágora Investimentos sugere a compra de Smart Fit (SMFT3), com potencial de ganho de 1,47%, e a venda de Alpargatas (ALPA4), com retorno estimado em 1,42%. São operações táticas, que exigem atenção redobrada ao mercado no curtíssimo prazo.

O noticiário político local também adiciona uma camada de volatilidade. Uma nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg para a eleição presidencial de 2026 mostrou o presidente Lula com 48,8% das intenções de voto contra 42,3% do senador Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno. Apesar da liderança de Lula, a margem de 6,5 pontos porcentuais exige monitoramento. Essa disputa eleitoral, como vimos em ciclos passados, tende a intensificar as flutuações do mercado brasileiro, especialmente perto das datas chave.

No que muda para o seu bolso, investidor? A sinalização do Goldman Sachs é um convite para reavaliar a exposição a ações brasileiras, especialmente aquelas mais sensíveis aos juros. Para quem busca diversificar e gerar renda passiva, olhar para empresas que tradicionalmente distribuem bons dividendos, como muitas do setor elétrico ou de commodities (quando em alta), pode ser um caminho interessante. Ao mesmo tempo, a volatilidade do cenário pede cautela e gestão de risco. Ou seja, aquela velha máxima de não colocar todos os ovos na mesma cesta continua mais atual do que nunca. Se a renda fixa já não paga tão bem como antes, buscar o equilíbrio entre a segurança dos títulos e o potencial de retorno das ações, sempre com um olhar crítico, é fundamental.

Acompanhamos esse movimento de aproximação de bancos internacionais com o Brasil desde o início do ano, e a análise do Goldman Sachs reforça a tese de que o país ainda tem muito a oferecer. A cautela com o cenário externo é natural, mas não podemos perder de vista as oportunidades que surgem quando o mercado está ‘barato’, como bem apontou o banco americano.