O primeiro semestre de 2026 nos deixou com uma lição clara: nem sempre o óbvio é o que mais rende. Se você apostou em empresas sólidas que distribuem bons dividendos, provavelmente deu um sorriso. O índice IDIV, que reúne justamente essas companhias, liderou a rentabilidade nos últimos seis meses, acumulando uma valorização de 6,99%. Um desempenho que praticamente empatou com o CDI (6,79%) e o Ibovespa (6,76%), mostrando que a renda variável, quando bem escolhida, ainda tem muito a oferecer.

Não é a primeira vez que vemos o mercado de dividendos ganhar destaque em cenários de juros ainda elevados. Em 2022, passamos por algo semelhante, quando a busca por previsibilidade e bons proventos se tornou prioridade para muitos investidores em meio à incerteza. O cenário atual, com o real mostrando força, contribuiu para que esses ativos fossem um porto seguro.

Para quem acompanhou de perto o mercado, essa tendência de empresas boas pagadoras de dividendos se destacarem em semestres com juros persistentes já era esperada. A volatilidade maior do mercado acionário global e o próprio contexto de commodities e geopolítica acabam tornando os proventos um contraponto interessante. Por exemplo, a apuração do The Brazil News sobre o fluxo cambial no primeiro semestre já indicava um fortalecimento do real, o que, na minha leitura, pressionaria ativos dolarizados.

E por falar em ativos dolarizados, o Bitcoin, mais uma vez, mostrou seu lado mais selvagem, amargando a pior performance com uma queda de 35,10%. O cenário não foi melhor para o euro Ptax (-8,63%), o ouro (-8,31%) e o dólar Ptax (-5,92%). Esse desempenho negativo dessas classes de ativos reforça a ideia de um fortalecimento da nossa moeda nacional no período, um movimento que também foi observado no euro e no próprio dólar ante o real.

O que muda para o seu bolso? Se sua carteira tem foco em dividendos, o primeiro semestre foi de alívio. Agora, o desafio é manter essa estratégia em um mercado que promete seguir volátil. Para julho, algumas casas de análise já se movimentam. A Planner, por exemplo, reformulou sua carteira de dividendos, apostando em nomes como Bradesco (BBDC4) e Taesa (TAEE11), além de manter a Caixa Seguridade (CXSE3). Os analistas destacam o Bradesco, que anunciou a distribuição de R$ 3,5 bilhões em juros sobre capital próprio. É o tipo de notícia que faz diferença na conta do investidor, como aluguéis entrando na conta sem que você precise vender o imóvel.

Do outro lado do mundo, Wall Street iniciou julho em baixa. Investidores nas ações de semicondutores, que tiveram um semestre excelente, resolveram realizar lucros. A Micron Technology, por exemplo, recuou 6%. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, também manteve o mercado atento, ao falar sobre inflação elevada sem dar pistas sobre os próximos passos em relação aos juros nos EUA. Esse movimento internacional pode, sim, respingar aqui, mesmo que o Brasil tenha seus próprios drivers, como as eleições que se aproximam e a manutenção de um juro básico ainda alto por aqui.

Apesar da volatilidade, o Brasil continua atraindo olhares. Estrategistas do Goldman Sachs reiteraram sua recomendação "overweight" para o mercado acionário brasileiro na América Latina. Segundo o banco, as ações brasileiras negociadas a cerca de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses parecem baratas, especialmente quando comparadas às taxas de juros de longo prazo e a ciclos anteriores de queda de juros. Na minha leitura, o principal sinal é que, apesar dos ruídos e da instabilidade que podem aumentar no segundo semestre, há um otimismo estratégico de fundo. A questão é: será que esse cenário se sustentará com a aproximação das eleições? Monitorar os próximos capítulos será fundamental.