O segundo semestre de 2026 começou com o pé no acelerador para o dólar, que liderou os ganhos em junho, fechando o mês com uma alta de 2,38% à vista. Essa movimentação, no entanto, não veio sem custos para outras classes de ativos, com títulos do Tesouro Direto de prazos mais longos registrando perdas expressivas. A abertura da curva de juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, foi o grande motor por trás dessa reprecificação.

Quem acompanha o mercado há algum tempo sabe que essa dança dos juros é um velho conhecido. Em 2022, por exemplo, vimos um cenário parecido com a escalada inflacionária global, que obrigou os bancos centrais a apertarem o cinto. Naquele período, a volatilidade foi a norma, e as apostas mudavam de rumo com uma velocidade impressionante. Agora, o movimento parece ter um toque mais global, com os olhos voltados para os comentários das principais autoridades monetárias do mundo.

Neste pregão, os investidores estão com os ouvidos atentos às falas de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, durante o Fórum de Sintra. Ele participa de um painel ao lado de Christine Lagarde, do Banco Central Europeu, e Andrew Bailey, do Banco da Inglaterra. Embora Warsh já tenha sinalizado que não vai entregar um guia completo sobre os próximos passos dos juros americanos, suas avaliações sobre a inflação e a economia dos EUA são cruciais para recalibrar as expectativas do mercado.

No cenário doméstico, o Banco Central divulgou dados que mostram um avanço da dívida bruta do governo geral em maio, atingindo 81,1% do PIB, acima do esperado por economistas. Já o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) de maio apresentou uma abertura de vagas formais abaixo do previsto, com 72.960 novas posições. Esses números, em tese, poderiam pressionar o dólar para cima, mas o cenário internacional parece ter mais peso neste momento.

A Petrobras (PETR4), por exemplo, que vem sendo um pilar importante para o Ibovespa, opera em baixa nesta quarta-feira, acumulando um recuo de 0,89% no dia e 9,29% no mês. Apesar disso, a ação ainda apresenta uma valorização de 26,92% no ano. O Dividend Yield de 7,84% continua atrativo para muitos, mas a volatilidade recente pode ser um sinal de cautela.

O impacto no seu bolso

Para quem investe, essa dinâmica do dólar e a pressão sobre a renda fixa de longo prazo significam que é hora de revisar os portfólios. O dólar mais caro pode encarecer produtos importados e pressionar a inflação de forma indireta, enquanto os juros em alta ou a expectativa de juros mais altos no exterior tornam os títulos públicos de longa duração menos atraentes quando comparados a opções de menor prazo ou renda variável que se beneficia de um cenário de consumo mais robusto. Na minha leitura, o investidor precisa estar atento a essas mudanças de vento e considerar a diversificação como a melhor estratégia para navegar nesse mar revolto.

Um ponto de atenção para o segundo semestre é a divulgação da pesquisa ADP, que mede a criação de vagas de trabalho no setor privado dos EUA. Esse dado, considerado uma prévia do payroll oficial, pode dar mais pistas sobre a força da economia americana e, consequentemente, influenciar as decisões do Fed. Acompanhamos em nossas matérias recentes o avanço das discussões sobre a privatização da Copasa (CSMG3), um tema que pode trazer um otimismo adicional para o mercado brasileiro, mas que ainda precisa navegar em um ambiente macroeconômico global mais desafiador.